quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Vontade

Pela maçã do teu rosto
eu esqueceria qualquer paraíso



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017




Rasgo

Tem um rasgo aqui dentro
Sempre teve
Uma indecisão ardente
Quase que indecente
Quarto de pão
Pedaço de linha
Inquietante
Olhar mexido
Mar sem ondas
Um borbulhar de mim
Com tantos nós
Livros não lidos

Não compreender faz parte
Como viver sem arte?
Arte não reverte carros
Arte não verte elogios
Arte não acerta alvos
Arte não dá capitaliza

Eu vivo da arte
E hei de morrer
A beijá-la

Quem encontrar meus rabiscos
Saberá que meus riscos
Eu corri por amá-la

Tem um rasgo aqui dentro

Sempre tive...
Mas...

Eu ando a querer ser inteiro
Mas resvalo na inquietude
Eu ando em cacos...


Tem horas que eu desenho Van Gogh
N´outras rabisco
Meus pedaços...

Eu ando a querer ser inteiro
Capa de super homem
Defendo tudo...

Mas meus gritos
Se perdem nos espelhos
Quando o destino fica mudo...

Eu ando a querer ser inteiro
Mas vem o abraço da ansiedade
Meu peito explode...

Em meu leito dorme a insônia
Penso em equações, duvido do quadrado

Que teu amor me acorde...



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A VIDA SEM ASSENTO

A estética pasteurizada

É patética

A coerência armada

É eclética

A verdade dos interesses

Genérica

E no fim

da contas

falta ética

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017



Manhãs

A linha do meu coração usa um terno pelo avesso

e dança em bailes de lembranças que eu guardava em segredo.
Saudalejar

Seu nome saudade
Menina de seios rijos
Pouco ou nada de juízo
Cheiro de leite
Sabor de flor

Seu nome amor
Menino de dentes livres
Brancos que um dia eu tive
Cor de mar
Imensidão de grão

Seu nome paixão
Mulher de lábios fatais
Afã de talvez, clã de jamais
Música de cor

Verbo “saudalejar”


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017




Rabiscos de uma segunda-feira nublada

Hoje eu vejo um olhar que eu não via em mim
Mesmo que a vida continue a pregar peças, a ser uma loucura cada dia maior e ao mesmo tempo mais fascinante, hoje sou mais simples e mais feliz... O amor verdadeiro é transformador e simples. Hoje eu sou o que eu quero ser e mesmo que as dificuldades apareçam, o sentimento de liberdade produz paz. Invariavelmente um aperto brota no coração, quase que a dizer, “tudo bem, passa, tua coerência te fez, e a simplicidade te guiará”...

Tem coisas que eu escrevo para que me ouçam... e um dia tais rabiscos poderão ser mapas... 



Um andar de tanto tempo

Eu tenho um andar de tanto tempo, de tempos que eu vivi, dos tempos que eu sonhei,
Dos tempos que nem senti...
Eu tenho o cantar de tanto tempo, de tempos que eu morri, dos tempos que eu passei,
Dos tempos que nem pedi...
Eu tenho as cicatrizes de tanto tempo, de tempos de tantas marcas, dos tempos de tantos riscos, que me machucavam a pele...
Eu tenho os beijos de tanto tempo, de tempos que eu amei, dos tempos que eu chorei,
Dos tempos de tantos sorrisos, que encantavam meus passos...
Eu tenho na memória tantos tempos, cantos que eu procurei, letra e música, coração e voz, de tempos que eu cantei...
O tempo é um menino, destino de horas e de cores, lugares de esperança e amores, de fins e de rancores...
O tempo é instrumento de procura, instrumento de recuperação, é agua, é pão, alimento que traz candura,
Dê ao tempo o tempo teu, com carinho, com atenção, dê ao tempo a compreensão, o afeto e a ternura... pois ele, com certeza, meu amigo, bem tratado, com cuidado, é a real cura... para tudo.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Um conto de sarda


Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina

Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina

A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...


sábado, 4 de fevereiro de 2017

SIMPLES

UM BANHO DE CHUVA
ROSTO MOLHADO
NUMA MANHÃ DE AGOSTO
UM DEZEMBRO ENSOLARADO
BEIJO DE FILHO
OLHAR DO SER AMADO

PAIS A TE OLHAR COM ENCANTO
PÉS NA ESTRADA
AMIGOS DO LADO
MÚSICA PARA ARREPIAR A ALMA
POESIA PARA ESCLARECER O MUNDO
PASSOS DE DANÇA ILUMINADOS

CONVERSA DE BOTECO
SILÊNCIO PARA ENTENDER A FALA
BUSCAR TODO DIA O ACHADO
UMA TARRAFADA NO MAMPITUBA
UM GOL NA CANCHA DOS PADRES
UMA GALINHADA NA NOITE DE TORRES

UMA CANÇÃO NA VOZ DA VALDECI
FARROUPILHA NO FAROL
GUARITA DESENHADA PELO SOL
UMA CAIPIRA DE MARISQUEIRA
UMA TAINHA LÁ NO NEI
UM MAR DE TODAS AS CORES

UMA CANASTRA LÁ NO TIO ADELCIO
UMA SERENATA NO MEDIEVAL
UM GOL DO TRECO PELO BAHIA
UMA DEFESA DO NILTINHO PELO AMÉRICA
UMA PASSE DE PLACA DO VECA PELO MAR AZUL
E O VOLNEI E O ORLANDO A ENCANTAR O TORRENSE

UM ABRAÇO DO BETO, UMA DICA DO DEDÉ
UMA FUGIDA PARA O MAR AZUL
UMA SAUDADE TODOS OS DIAS
UMA PANDORGA A SOLTAR A LINHA
UM SORRISO DO CUMPADRE FABINHO
A SIMPLICIDADE QUE EU QUERO E SABIA

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017






Gumes
Julgo ser inteiro o que me deixa em pedaços,
o que me faz ser devaneio
o que atiça meus medos,
me faz agosto em fevereiro, desvenda, sem bulas, meus segredos...
Me deixa inteiramente pela metade.

domingo, 29 de janeiro de 2017




Colcha de retalhos  

Meus amores estão nas entrelinhas de minha poesia
estão cobertos de rimas
estão encobertos por uma poeira fina de nome paixão
juntei tecidos tantos por tantos anos
tecidos suaves, finos, retalhos diversos e seda e chita
costurei uma colcha quente de lembranças
para acalmar meus invernos

sábado, 21 de janeiro de 2017

video

TANTO  (Para Marcia Caspary com amor e luz)

E eu ao falar dela fico rindo à toa, com cara de bobo, encantado e agradecido por ter em minha vida o amor de minha vida inteira.

AI... quantos dias a sonhar onde ela estava, o que fazia, o que provocava seus sorrisos...

Sabe, o amor que eu tinha era tão grande que ele se disfarçava, sumia, se transformava... embora não a visse eu a sentia e sabia que logo na próxima ou na outra esquina ou na outra dimensão ou galáxia ela seria minha parceira para sempre...

Dei de ombros aos dias que passavam a correr, enganei o tempo, reguei, conservei... entendi que o amor compreende a falta, desenha a esperança e se agiganta de repente, quando ele é sincero, forte e incondicional...

Hoje vejo que tudo valeu a pena, hoje tenho um amor que me faz sorrir demais... e os problemas diante dele ficam tão pequenos, viram conversas em varandas... e se dispersam...

Com ele em meu peito não tenho medo de nada, escudo encantado da mulher amada que protege o sentimento com fidelidade e confiança... abençoado amor que resistiu a tudo, que mesmo quando estava mudo, escrevia nas estrelas... claro que estava escrito... claro...

Ai meu amor... meu sol, meu amor inteiro... minha canção que me deu duas músicas e uma outra família linda... e que abraçou meus três sonetos...

Te amo para sempre, amor tem que fazer rir... e gargalhamos desde quando nos reencontramos...


Parabéns... há braços de luz e amor... minha amiga, minha companheira, minha amante, parceira, minha flor d’alma.....

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017





Será que é difícil falar de gentileza e respeitar a opinião do outro? O que se constrói com ódio? Que mundo queremos? Posso perder trabalhos, mas não perderei minha coerência e ideologia. E continuarei discutindo o bom debate... Tenho certeza que diálogos transformam o mundo... e boas pessoas, independente de credos, times, partidos, ideologias... são os instrumentos desta transformação... Sou um profissional respeitado no mercado, mas jamais calarei no que acredito... perco trabalhos... mas não perco a ternura e a essência... Já fui barman, recepcionista de hotel, garçon, caixa de bar, e tenho orgulho de cada profissão que exerci, como já fui 
"coisas" maiores"... e sempre fui o Panda, o Dike e o cara de bem com a vida... Quem me conhece sabe... Não me venham com discursos de ódio... Boa noite a todos...



Esse desaguar de destinos
Irmãos doidos e doídos
Barcos de papel no meio-fio
Aonde chegarão?

Desolados pela saudade
Náufragos sem mar
Cartas escritas em portas
Onde jamais puderam entrar

Cresceram quase por imposição
Viveram ardentes quase sem querer
E quem haveria de saber
Que se fortaleceriam pela sofreguidão?

E nascem por encanto todos os dias
Se vestem com ternos brancos de linho
A menina se chama Poesia

E o menino é chamado de Carinho
FALTAS

Que tanta chuva nesse copo
Que tanta mágoa nesse corpo
Que tanto náufrago com mapa
Que tanto barco sem porto

Que tanto vento sem pandorga
Que tanta linha sem horizonte
Que tanto varal sem outorga
Que tanta roupa sem fonte

Que tanto amor sem destinatário
Que tanta palavra sem zelo
Que tanto remetente ordinário
Que tanta carta sem selo


terça-feira, 17 de janeiro de 2017





Essa chuva

Acende uma chuva aqui dentro
Vindo de um lustre com uma luz fraca
Uma dor conta pingos
Uma espera que o destino crava
Um “não sei lá” que responde tudo
Uma alma que não se lava
Um grito encharcado e mudo
Um querer quase absurdo
Vontade de te ver
Um amor que me faz ser
Tudo àquilo que eu sempre quis ser
E essa chuva que não passa

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Verbos  

Há dias que nem me vejo
Passo sem ver meu querer
Um café da manhã sem gosto nem desejo
Uma sensação de quase morrer

Noutros dias vejo tudo diferente
Entendo quase morrer como estalar
Vejo uma vontade latente
Uma maravilhosa sensação de tentar

No parque de diversão do destino

As gangorras estão cheias...


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Todo o desatino que compreende a minha paz e ansiedade
Percorre a simplicidade que alivia a dor
A vida ensina e nós teimamos em não aprender
Que ser é o caminho
E que olhar para o lado deve ser o olhar de todo dia
A felicidade, muitas vezes, é um livro não lido
Não dê ouvidos aos gritos de quem não quer ler

Mas, abrace e ensine a leitura de quem procura ser feliz

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O acaso brinca de rima

Cabe-me, por encaixe, o olhar inteiro das bocas do acaso
Afasto-me quando, ao meu encalço, andam apressadas bocas métricas
Mergulho em luas claras e transparentes como se o medo fosse o raso
E não venham me dizer que almas são armadilhas bélicas

Atento aos relatos escuto a inconstante passagem do pensamento até o ato
Transformo-me num silêncio de lápide quando um grito quer ser mais forte do que o fato
Fatias inteiras de um bolo de chocolate do apartamento ao lado invadem lixos de uma favela
E, não venham me dizer, que corações sejam sempre as melhores janelas

Cabe-me a leveza da escrita para deixar dito o que tanto me aflige e alucina meu entender
Levado muitas vezes pelo interminável duelo daquilo do que se mais quer, com a razão burra de que não se precisa querer
Lanço-me aos poucos, aproveitando-me de noites escuras, para escrever poesias em muros que rodeiam almas tão vazias
E não me venham dizer que estou só, louco e o que entendo por felicidade sejam páginas de crônicas fictícias e fugidias...


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

video
UM VÍDEO CASEIRO

domingo, 11 de dezembro de 2016

Passageiras

Tudo agora em mim dói
Àquela dor que aperta
Diz que vai e não vai

Olhos fixo nos olhos
Faz amor
E depois trai

Chama de eternidade
Mas diz que é cedo
Fagulha que aos poucos cai

A vida é muito mais além
É janela de sol
É descoberta de segredos

A melhor receita,
meus caros amigos,
É não ter medo

Aprender com a dor
Pois, a dor tal a vida
São passageiras

Loucas por viagens

sábado, 10 de dezembro de 2016

Soneto da Falta

Meu pensamento deserto esqueça a água
Definha ao passo que namora de longe uma chuva
Engole à seco cada gota de tantas mágoas
Minhas mãos tremem, mas não permitem luvas

Frestas nas cortinas possibilitam um recado à lua
Escrito nas entrelinhas do que sinto em minh ‘alma
Sou àquela esquina que se perde em tua rua
Sou outrora àquele grito que mantinha minha calma

Tua falta ardente permeia minha fuga e destino
Tal a pandorga que se perde nos sonhos do menino
Pois até a esperança um dia cansa e tomba

A lâmina afiada das palavras corta como cerol
E em teus voos busco incansavelmente um farol

Que me traga a simplicidade de um carrinho de lomba

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Dezembro

Folhas de calendário
E de samambaias
Andorinhas a arquitetar
A estação
Serei eu uma chuva breve
De um inverno que não para
De chamar o verão?

O amor acolhe
Quem planta o bem
Colhe a cor

A cor aflora
O bem que se tem
Quando se faz por amor

Folhas de calendários
E eu a fazer poesia
O amor é mais do que

apenas uma intenção


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O cabelo da filha do meu amigo

O cabelo da filha do meu amigo
Acorda sempre muito bem-humorado
Amor em cachos
Amor encantado
Amor de risos
Em dia ensolarado
Ria pai
Bendito sê-lo
Ria em cachos
Pelo riso do cabelo
O cabelo da filha do meu amigo
Deixa mais bonita a Ilha
Sorri o mundo
Sorri a simplicidade
Isso é sim felicidade
Ria muito
Ria com gosto

Meu amigo Padilha

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Estações

Ao que digo à minh’alma proponho sempre a serenidade
A vida é um aprendizado entre páginas e lapidações
Que por todas as vidas se entrelaçam na busca da verdade

A solução existe e existirá sempre se o olhar for por amor
Abrace mais, beije intensamente, valorize corações
E tenham certeza, meus amigos, que o sol vem depois da dor

Às vezes uma pequena fresta de luz é nossa maior claridade
E invernos e verões, outonos e primaveras são constelações
Que dançam a iluminar nossos passos, seja a realidade como for

N’alma mora um farol que acende e desenha uma flor
A flor que mora num jardim e respeita quaisquer emoções
Entenda que apenas um sorriso abre a porta da felicidade



quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Paixão

Sempre acreditei na paixão. Na paixão de fazer da vida um aprendizado. De seguir bons exemplos. De compreender o que não se pode compreender. A Chapecoense sempre foi paixão. Uma cidade abraçou uma equipe. Santa Catarina vendo tanta paixão também fez da Chapecoense o seu time. De repente o Brasil conheceu a história, viu tanta união e vontade e a Chape virou Brasil. Acredito em paixão. Sempre gostei de futebol, por que sempre acreditei que paixões colorem nossas vidas. A Chapecoense recuperou o gosto do futebol camisa, do futebol alegria, do futebol paixão. Que saibamos tirar lições desta tragédia. Força Chape. Vamos fazer da vida um caminho sem ódio, por que a vida pode ser breve, o amor não.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Hay Kay sem métrica

Todo mundo tem escolha
A felicidade pode ser um estalo
Como quem dança num papel bolha
Dizeres

O amor deve regar à flor da pele
Por que o que arrepia, cutuca, aproxima
É uma cachaça, uma ambrosia
Um sentimento que dá gosto, alegria
Que provoca o querer, alquimia
Que remexe, bole, mistura
Que dói, que deixa a face rubra, que cura

sábado, 12 de novembro de 2016

SIMPLES

UM BANHO DE CHUVA
ROSTO MOLHADO
NUMA MANHÃ DE AGOSTO

UM DEZEMBRO ENSOLARADO
BEIJO DE FILHO
OLHAR DO SER AMADO

PAIS AO TE OLHAR COM ENCANTO
PÉS NA ESTRADA
AMIGOS DO LADO

MÚSICA PARA ARREPIAR A ALMA
POESIA PARA ESCLARECER O MUNDO
PASSOS DE DANÇA ILUMINADOS

CONVERSA DE BOTECO
SILÊNCIO PARA ENTENDER A FALA
BUSCAR TODO DIA O ACHADO

UMA TARRAFADA NO MAMPITUBA
UM GOL NA CANCHA DOS PADRES
UMA GALINHADA NA NOITE DE TORRES

UMA CAIPIRA DE MARISQUEIRA
UMA TAINHA LÁ NO NEI
UM MAR DE TODAS AS CORES
UMA CANASTRA LÁ NO TIO ADELCIO
UMA SERENATA NO MEDIEVAL
UM GOL DO TRECO PELO BAHIA

UM ABRAÇO DO BETO, UMA DICA DO DEDÉ
UMA FUGIDA PARA O MAR AZUL
UMA SAUDADE TODOS OS DIAS

UMA PANDORGA A SOLTAR A LINHA
UM SORRISO DO CUMPADRE FABINHO

A SIMPLICIDADE QUE EU QUERO E SABIA