quinta-feira, 19 de outubro de 2017




Dona Zica e Cartola
                     
“Me” liga e diz o que acontece.
Declame feito Dona Zica.
“Me” liga para que eu não fique sozinho.
Declame “a vida é um moinho”.

E quando quiseres, minha rosa,
Lembre que amor não se aprende em escola.
Assim te chamarei de Dona Zica.

E sonho que um dia me chames de Cartola.


Assim

Que desatino de vida, que maçaroca doida e doída, que vai assim, feito punhal, a desbravar o meu peito. Esse peso nas costas, essa luta para defender o que é de direito.

Que o amor seja a costura, chuleio de colchas que nos abrigarão de noites frias, um canto de tanto tempo a trilhar nossos momentos, essa luta de fazer o que precisa ser feito.


Procure o abraço antes do grito, procure o amigo antes do medo, entenda que como está esse mundo, só o mar do entendimento te fará navegar, essa luta para mostrar que as velas precisam de mar.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Silêncio
O relógio está quebrado.
A carta não tem selo nem CEP.
A mensagem bebeu a garrafa.

domingo, 15 de outubro de 2017

Assim

O poeta é um solitário
É tão difícil não sê-lo
É tanto enleio
Em rolos de tantos novelos
A palavra se agiganta
Faz café, almoço e janta

O alimento é toda a vida
Ser poeta é chegada junto com a despedida
Pessoa falava da dor
A nossa dor tão doída
Faz a palavra nascer
Entre os fins de toda a lida

Mas não se enganem
Que o amor é fonte de linhas
E escreve romances tão lindos
Cravados na Mãe Poesia
E mesmo na solidão
O amor é uma rima tão minha



Os Mestres não morrem


Mesmo que muitos queiram matá-los
Eles moram nas palavras, nas lições e nos ensinamentos
Os Mestres não morrem
Porque ódio nenhum mata um pensamento
Os Mestres não morrem
Porque deixam lições para a vida inteira
Os Mestres não morrem
Porque a vida é uma vida além de outras tantas vidas
Eu aprendi a escrever com a Graça, com a Helenara e com o Bertolino
Fizeram um homem daquele sonhador menino
Mas me deixaram com o mesmo olhar
Os Mestres não morrem
Porque vivem no coração de quem os escutou
Os Mestres não morrem
Mesmo que muitos o tenham matado
São seres iluminados
Seres além vida
Com eles nunca fiquei sozinho
Aos Mestres,
Meu eterno carinho
Os Mestres não morrem
Porque eles deixam recados eternos em nossa alma



sábado, 14 de outubro de 2017

Febre

Uma sensação sem cor me atravessa.
Embora não fale, não cala.
Invariavelmente estanca cada passo meu.
Um punhal que fere a própria ferida.
Um jogo onde a dor supostamente venceu,
Sem que a existência se desse por vencida,
Ficando exposto aquilo que o poeta ainda não escreveu...
Assim fica entendido o mágico encanto dessa vida.

A vida é uma longa febre.


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Deixa

Deixa minha bagunça fazer dançar minh’alma
E quando me faltar a calma
Eu me pegue a sorrir
Deixa a confusão me permitir o acaso
E quando meu mergulho for num lago raso
Eu me salve nas águas do teu corpo
Deixa a minha cara rubrar
E quando me faltar o ar
Eu me pegue a respirar sem desistir
Deixe eu gostar de poesia
De viver minha alegoria
Sem comprometer o que acredito
Não sei o que é feio nem o que seja bonito
Sei da compreensão e respeito pelo todo
Não gosto de mentira, de traição, nem desse lodo
Gostaria somente de poder viver
Sem usar o outro, sem fazer do outro um degrau
Não quero definir o bem nem o que seja mal
Sei que a transformação nasce em cada um
Deixa eu tentar dizer minha poesia
Deixa eu tentar colorir o meu dia
Deixa eu tentar alegrar minhas crias

Tem gente que não admite os meus tentares
Meus quereres
Minhas alquimias

Deixa assim
Eu não quero aprovação
Aprendi a viver com o não

Deixa eu escutar Chico, ler Quintana e procurar meu sim


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

GUARDAR



Um terno de linho branco, 
uma colcha de ternura,
um baile em noite clara, 
uma lua no Campeche,
quem guarda não perde.

domingo, 8 de outubro de 2017

Nem tudo é todo

Nem toda a hora é clara
Nem todo o ovo é gema
Nem toda a correria é risco
Nem todo o lápis desenha
Nem toda a frase é lema
Nem todo o amor é sina
Nem toda a teoria condena
Nem toda a prática ensina

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Coisas de guri
Quando eu era guri, muito guri... em Torres... descobri que o mar no quintal de casa era o mesmo mar do mundo inteiro... a felicidade sempre mora perto... é preciso bater em sua porta e dizer “eu
te quero"... Coisas de mar..

domingo, 1 de outubro de 2017


A linha

A felicidade é uma linha... 
uma voz que corre a linha... 
uma linha que é feita de nós... 
uma nota musical alinhada com o querer... 
a simplicidade é amiga da linha... 
o tempo é parceiro da linha 
e o amor é o tear...

Mas...ou Mais...

Eu ando a querer ser inteiro
Mas resvalo na inquietude
Eu ando em cacos...

Tem horas que eu desenho Van Gogh
N´outras rabisco
Meus pedaços...

Eu ando a querer ser inteiro
Capa de super homem
Defendo tudo...

Mas meus gritos
Se perdem nos espelhos
Quando o destino fica mudo...

Eu ando a querer ser inteiro
Mas vem o abraço da ansiedade
Meu peito explode...

Em meu leito dorme a insônia
Penso em equações, duvido do quadrado
Que teu amor me acorde...


sábado, 30 de setembro de 2017




A intrigante briga entre a chuva forte e o chão seco
                     
Tem dias que a gente nem sabe o que quer.
E querer nada, pode ser querer demais.
E querer tudo pode ser não querer.
É como um chão seco apaixonado pela chuva forte,
E ter medo que ela possa ser forte demais.
(O amor, com certeza, é assim).


- Deixa chover, grita Dolores, já encharcada.
A tristeza

Tristeza não se esconde debaixo do tapete.
Tapete fala.
Tapete grita.
Tapete absorve.
Aspirador de pó não pode ser a felicidade...
Tristeza tem que ser vivida, degustada, entendida.
(Dolores, aflita, diz: - Tô precisando de uma faxina...)




sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Faltas
          
Lá vai Quirina buscar sede num copo.
Lá vai Quirina buscar fome num prato.
Lá vai Quirina buscar amor numa esquina.
Lá vai Quirina buscar paz num rapto.


(Lá vai Quirina buscar o mundo num dedal)...




O amor e seus fusos-horários

A lua na sacada
Cai num copo de vinho
A noite é uma cilada
E também é um ninho
O significado de prender
Depende do estado de querer
Ou não querer estar sozinho

A felicidade é uma medida inexata
Entre o amor e a pessoa sonhada
Numa linha traçada sem data
De um calendário que move o coração
E vem um amor em hora errada
E transforma a pessoa amada

Numa chuva breve de verão
Sedes e estios

O deserto tem 
como paixão maior a lágrima. 
Areia nos olhos faz chorar.
Constatação


O luar é um cachecol, 
com o qual eu protejo teu pescoço 
dos meus beijos roubados.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

que tudo que se faça que se faça por amor que se faça amor em tudo o que se faça 
que seja por amor o que se faça
Meu

Eu tenho um mar atrás de casa
É minha asa
E ninguém é obrigado

A se banhar





Um verso de pé quebrado

Um verso de pé quebrado deixa recados no gesso.
Ninguém passa nesse mundo,
falando de amor e saindo ileso...

Um verso de pé quebrado demora um pouco mais para chegar.
Mas rima luares com ondas e mares,
e canta como quem se encanta em cantar...


domingo, 17 de setembro de 2017



Ódio NÃO

Estamos aqui para aprender...
Estamos aqui para não prender ninguém...
É tudo muito rápido, é preciso ao mesmo tempo não ter pressa...
O grito se não for de liberdade, pouco vale...
E é no coração e n’alma o mapa do caminho...
Respeite as diferenças, as opiniões que não abraçam a sua, respeite todas as formas de linguagem, respeite a verdade, a verdade vestida e a verdade nua...
Compreensão é o passo primeiro do primeiro passo do primeiro passo...
O mundo tem tudo para ser tão rico para todos, porque ele deve ser pobre para a maioria?
Viva a poesia... e como diz meu grande amigo Minga, “ Cada vez que você julga alguém, revela uma parte sua que precisa de cura”...
Vamos cuidar bem dessa VIDA, e desse MUNDO...
Vamos aprender, conhece mais as coisas, ser mais profundos...
Por que vocês verão... que lá no fundo, no fundo.... todos querem amar e ser amados e viver em paz...

Então eu digo a todos vocês: ÓDIO NÃO... 

sábado, 16 de setembro de 2017

Crônicas de um mundo bem contemporâneo           

Ensaiou uma crônica
deixou um bilhete
pediu gim
implorou uma tônica
ensaiou a bula
escondeu a receita
Quirina é louca
mas aproveita
o sol acorda
a lua deita
a vida é simples

e se ajeita


Só para esclarecer

No meu coração cabem tantas coisas...
Luares, cantares, mares
Olhares solares
Bocas cantantes
Pessoa, Cecília, Quintanares
Só o que não cabe
Só o que a mim não cabe
É que me digam o tamanho dos meus sonhos
Isso é só meu


domingo, 20 de agosto de 2017



Sobre Felicidade

Guardei por muitos anos pedaços de tecidos, livros lidos e palavras dos amigos.
Hoje tenho uma colcha a me abrigar do frio, tenho memórias e lições que aprendi em tantas páginas e na memória, conversas com meus amigos falando de lealdade, justiça e amor. Se não juntei dinheiro, juntei momentos, coisas e sentimentos que regam minha vida e isso me faz muito feliz e isso me faz sorrir.

sábado, 19 de agosto de 2017




A VOZ DE UM POVO

DOCUMENTÁRIO REALIZADO EM MAIO DE 2017 NA TI XAPECÓ, EM IPUAÇU-SC.

https://www.youtube.com/watch?v=3U2Z6dlOzYQ

sexta-feira, 28 de julho de 2017




Saudade                                                                                              

Já se vão as luas
que demorei tanto para colher
e, com elas, vão-se as conchas
de mares que eu guardei

Já se vão as brumas
que levavam o meu barco
e, com elas, vão-se as colchas
de camas que eu pintei

Já se vão as cartas
que demorei tanto para escrever
e, com elas, vão-se as vidas

que eu vi e delas já não sei

quinta-feira, 20 de julho de 2017




Desejo

Se não posso sentir
mais do que tu me permites
ainda assim sigo sentindo
tudo aquilo que não sentes
e, quando feres os meus olhos
com teus limites,
correm em minhas veias
desejos repentes
Ao contrário do que vês,
não sou tão pura,
pois minha boca
solta uma mulher ardente
enquanto crês que me tens,
sou vã procura
embora aches que sou completa,
vejo-me doente...
Ao passo que vives encanto,
sou tortura
e, quando vivo em brasa,
és decente
O que faço por amor
chamo loucura
Talvez, por isso,
eu seja inocente...




sexta-feira, 14 de julho de 2017



A verdade vem em ondas 
como vem o mar... 
ela aparece 
e o tempo é seu barco

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Buscamos soluções em infernos
E no céu de nossa boca
Mora a palavra exata

domingo, 25 de junho de 2017

solidão
pode ser
escolha
de cada um

solidão
pode ser
não se ter
escolha

solidão
é uma palavra
onde o vento
beija a espuma

enquanto isso
sentimentos
andam de gangorra
num parquinho
da esquina

é a escolha é minha

terça-feira, 20 de junho de 2017


eu acredito que olhar nos olhos fala mais do que mil palavras
eu acredito em abraços sinceros e laços eternos
eu acredito em amigos que mesmo sem se ver são presentes
eu acredito em parceria, companheirismo e lealdade
e tenho certeza que a vida é muito simples
e que a felicidade deverá com amor ser mais simples ainda...

sábado, 17 de junho de 2017

Confusões

Olhares beiram mares
lágrimas confundem águas
mágoas inundam praias
a solidão navega às cegas
ignorando tantos luares
a hora é quase certa
o tempo é quase fuso
minha certeza naufraga
o exato é tão confuso
Espumas

Vejo a tristeza que se espelha.
Ao ver minh‘alma que parte.
Felicidade é um fogo de palha.
Que queima, que provoca, que arde.

Mora comigo um hiato que teima em provocar.
Um abraço de esquina que não se esquece.
Vez por outra vens feito onda de mar.
Quebra, insinua e desaparece.



quinta-feira, 15 de junho de 2017

O andar do tempo no decorrer do tempo... 
tudo ao seu tempo... 
Há...

sexta-feira, 2 de junho de 2017



A fogueira não tem eira nem beira e não arde... 
nem o punhal que deveria ferir faz alarde... 
tem dias que a dor vem da calmaria... 
as vezes o momento exato é tarde... 
é salutar comer no jantar, alquimia...

sexta-feira, 12 de maio de 2017



Versos portugueses

É meu cansaço que me ergue
no exato momento em que me falta o ar
mesmo que minhas pernas se neguem
meu desejo me faz andar

Estanca de repente também meus ais
nenhuma palavra, nenhum gemido, nenhum gosto
minhas dores aportam em meu cais
engulo a seco e disfarço as lágrimas em meu rosto

Às vezes para seguir é preciso conviver com a dor
um espinho no pensamento, um punhal preso ao peito
uma luta incessante da escuridão com a cor

como se houvesse pregos em toda cama que deito

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Absolutamente

Tem dias que eu sou cantante.
N’outros o silêncio bate.
E na forma mais errante.
Beijo de mercúrio em que me arde.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Febre

Uma sensação sem cor me atravessa.
Embora não fale, não cala.
Invariavelmente estanca cada passo meu.
Um punhal ferindo a própria ferida.
Um jogo onde a dor supostamente venceu,
Sem que a existência se desse por vencida,
Ficando exposto aquilo que o poeta ainda não escreveu...
Assim fica entendido o mágico encanto dessa vida.

A vida é uma longa febre.

domingo, 7 de maio de 2017

Assim

Dedicado a Eder Martins, um homem de luta e meu irmão

Que desatino de vida, que maçaroca doida e doída, que vai assim, feito punhal, a desbravar o meu peito. Esse peso nas costas, essa luta para defender o que é de direito.
Que o amor seja a costura, chuleio de colchas que nos abrigarão de noites frias, um canto de tanto tempo a trilhar nossos momentos, essa luta de fazer o que precisa ser feito.
Procure o abraço antes do grito, procure o amigo antes do medo, entenda que como está esse mundo, só o mar do entendimento te fará navegar, essa luta para mostrar que as velas precisam de mar.


sábado, 6 de maio de 2017



A linha

A felicidade é uma linha...
uma voz que corre a linha...
uma linha que é feita de nós...
Uma nota musical alinhada com o querer...
a simplicidade é amiga da linha...
o tempo é parceiro da linha
e o amor é o tear...